Florianópolis se consolidou como um dos principais polos de inovação do Brasil, e esse posicionamento não é resultado de um movimento recente. Ao longo dos anos, a cidade construiu um ecossistema sólido, baseado na formação de talentos, na articulação entre instituições e na qualidade de vida como diferencial competitivo. O reconhecimento mais recente veio com o Global Startup Ecosystem Report 2025 (GSER), da Startup Genome, que posicionou a capital catarinense entre os 15 principais ecossistemas de startups da América Latina.
Os dados ajudam a dimensionar esse cenário. Florianópolis reúne mais de 6 mil empresas de tecnologia, responsáveis por cerca de 38 mil empregos diretos e por um faturamento anual de R$ 12 bilhões. O setor já representa 25% do PIB municipal, a maior participação entre as capitais brasileiras. Mais reveladora do que o volume absoluto é a densidade: proporcionalmente, a cidade concentra 10 vezes mais startups por habitante do que São Paulo, o que indica um ambiente em que inovação e empreendedorismo se estruturam de forma consistente.
Esse desenvolvimento está diretamente ligado à forma como o território foi organizado. O Sapiens Parque, localizado no Norte da Ilha, é um dos principais exemplos dessa estratégia. Concebido como um ambiente voltado à inovação, o espaço reúne empresas, centros de pesquisa, universidades e iniciativas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, criando um ecossistema que favorece a colaboração e o surgimento de novos negócios. Atualmente, o parque abriga mais de 100 instituições e gera cerca de 3.500 empregos diretos, consolidando-se como um dos vetores de crescimento da cidade.
À medida que esses ecossistemas amadurecem, surge uma nova demanda: a criação de espaços que conectem trabalho, cidade e convivência. É nesse contexto que o Passeio Sapiens ganha relevância. Inaugurado em junho de 2024, em parceria com Hurbana e Softplan, o espaço foi concebido como uma centralidade urbana integrada ao ambiente de inovação. Em menos de um ano, já recebe cerca de 30 mil visitantes por mês e reúne, em um mesmo endereço, o Centro de Inovação ACATE, o Impact Hub, a Academia Lendár[IA], empresas de tecnologia, escola, operações gastronômicas e programação cultural.
Essa integração de usos não é aleatória. Ela responde a um entendimento cada vez mais presente nos ecossistemas mais avançados: inovação depende de interação. Ambientes que estimulam encontros, trocas e convivência ampliam as possibilidades de conexão entre profissionais, empresas e ideias. Ao aproximar o cotidiano da cidade do ambiente de trabalho, o Passeio Sapiens contribui para fortalecer essa dinâmica, funcionando como um espaço onde o ecossistema se articula naturalmente.
Florianópolis construiu um modelo de desenvolvimento que combina inovação e qualidade de vida, e o Sapiens Parque é parte central dessa estratégia. O Passeio Sapiens, por sua vez, amplia esse modelo ao integrar o ambiente urbano ao funcionamento do ecossistema. Mais do que um espaço de apoio, ele se consolida como um lugar onde a cidade participa da inovação e onde diferentes dimensões da vida urbana coexistem no mesmo território.










