A inovação deixou de ser compreendida apenas como resultado de investimentos em pesquisa ou tecnologia. Estudos sobre desenvolvimento econômico mostram que a qualidade dos espaços urbanos, a circulação de pessoas e a interação entre diferentes áreas do conhecimento passaram a desempenhar um papel decisivo na formação dos principais ecossistemas de inovação do mundo.
Esse modelo foi perdendo força à medida que os estudos sobre inovação começaram a apontar para uma verdade incômoda: as melhores ideias raramente nascem no isolamento. Elas surgem no atrito, no encontro fortuito, na conversa de corredor que se estende além das quatro paredes. O urbanista Richard Florida, demonstrou que cidades inovadoras compartilham características que vão além da concentração de empresas e universidades. A presença de espaços públicos qualificados, de ambientes de convivência e de intensa circulação de pessoas favorece a troca de conhecimento e amplia as oportunidades de colaboração.
Florianópolis é uma demonstração viva dessa tese. Com mais de 6 mil empresas de tecnologia, 38 mil empregos diretos no setor e uma densidade de startups dez vezes maior que a de São Paulo, a capital catarinense foi reconhecida pelo Global Startup Ecosystem Report 2025 como um dos principais ecossistemas de inovação do mundo em cidades de médio porte. O relatório atribui parte desse desempenho ao senso de comunidade entre os empreendedores da cidade, que supera em 85% a média global de ecossistemas equivalentes. A inovação florianopolitana não é só técnica. É, em boa medida, relacional.
O Sapiens Parque nasceu há mais de duas décadas com a missão de ser o território físico desse ecossistema, um parque tecnológico no Norte da Ilha pensado para concentrar empresas, pesquisa e inovação. Criado há mais de duas décadas, o Sapiens Parque consolidou-se como um dos principais polos de inovação de Santa Catarina. Nos últimos anos, a implantação do Passeio Sapiens ampliou essa dinâmica ao incorporar ao ambiente corporativo comércio, gastronomia, serviços, educação e espaços públicos.
Foi com essa percepção que a Hurbana, em parceria com a Lagos Centrais, do grupo Softplan, concebeu o Passeio Sapiens. O espaço que antes era essencialmente corporativo passou por uma transformação que uniu arquitetura, paisagismo e programação para criar uma centralidade real no entorno do parque. Com 28 mil metros quadrados, o complexo integra dois edifícios corporativos, uma Mercadoteca com 15 operações gastronômicas, o Centro de Inovação da ACATE, coworking do Impact Hub e uma escola internacional. É possível trabalhar de frente para o lago, enquanto os filhos estudam e os colegas se encontram oem um happy hour. O espaço deixou de ser um endereço de trabalho para se tornar um pedaço de cidade.
Distritos de inovação bem-sucedidos, de Barcelona a Recife, têm em comum a ideia de que o encontro entre pessoas de campos diferentes, o pesquisador que almoça com o empreendedor, o designer que divide a mesa com o engenheiro, gera um tipo de fertilidade que nenhuma incubadora consegue replicar por decreto. O Passeio Sapiens foi construído sobre essa compreensão. A experiência dos principais distritos de inovação demonstra que conhecimento, pesquisa e empreendedorismo dependem cada vez mais de ambientes urbanos capazes de estimular encontros, a circulação e a diversidade de usos. Ao integrar empresas, educação, gastronomia, cultura e espaços públicos, o Passeio Sapiens reforça essa lógica e amplia a contribuição do Sapiens Parque para o desenvolvimento do ecossistema de inovação de Florianópolis.









