Durante a cerimônia de graduação do MIDITEC, programa de incubação da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), sete startups encerravam um ciclo de três anos de mentorias, consultorias e conexões com investidores. Algumas saíam dali já com aportes milionários confirmados. Outras, com um objetivo em comum: continuar crescendo no ecossistema que ajudou a transformar Florianópolis em uma das principais referências em inovação do país.
Integrado ao Sapiens Parque e cercado por universidades, centros de pesquisa e empresas de base tecnológica, o Passeio Sapiens passou a reunir negócios em diferentes momentos de trajetória. Alguns ainda validando seus primeiros produtos, outros já operando em mercados internacionais.
Não por acaso, Florianópolis consolidou-se como um dos principais polos de inovação do Brasil. A cidade ocupa a 6ª posição entre os ecossistemas brasileiros de startups e aparece entre os destaques da América Latina em rankings internacionais. Hoje, o setor de tecnologia representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, movimenta cerca de R$ 12,8 bilhões por ano e reúne aproximadamente 800 startups ativas.
Parte dessa trajetória passa pelo MIDITEC, realizado em parceria com o Sebrae/SC. Ao longo de mais de duas décadas de atuação, a iniciativa já apoiou mais de 200 startups, oferecendo mentorias, consultorias e conexões com investidores para empresas que ainda dão os primeiros passos. Entre 2013 e 2025, as empresas participantes somaram R$ 3,8 bilhões em faturamento acumulado, captaram mais de R$ 223 milhões em investimentos e geraram centenas de empregos qualificados.
Em dezembro de 2022, entre as empresas graduadas estava a Next Fit, plataforma de gestão para academias que, ainda durante o processo de incubação, anunciou um aporte de investidores. Casos como esse ajudam a ilustrar uma característica do ambiente construído na região. O ecossistema aproxima empreendedores de conhecimento, capital e oportunidades de negócio.
Mas nem todas as empresas seguem o mesmo caminho. Algumas chegam ao Passeio Sapiens já estruturadas e escolhem permanecer justamente pela concentração de talentos e conexões. Foi o caso da BR24, empresa especializada em soluções para clientes da HubSpot. Depois de conhecer Florianópolis em um evento de tecnologia, o fundador Filipe Bento decidiu instalar a operação na cidade. Hoje, a empresa reúne mais de 80 colaboradores, atende clientes em 65 países e ultrapassa R$ 20 milhões de faturamento anual.
Para Thaís Nahas, diretora da Vertical Smart Cities da ACATE, essa dinâmica ajuda a diferenciar Florianópolis de outros polos tecnológicos. “Muitas cidades constroem os espaços para depois montar ou estruturar um ecossistema de inovação. Florianópolis já tinha esse ecossistema. Naturalmente, os atores foram ocupando o espaço.”, explica.
A avaliação ajuda a compreender o papel desempenhado pelo Passeio Sapiens. O empreendimento não surgiu para criar um ecossistema do zero, mas para fortalecer uma rede que já conectava universidades, centros de pesquisa, aceleradoras, investidores e empresas de tecnologia.
Na prática, essa proximidade reduz distâncias. Um empreendedor pode encontrar um investidor durante um evento, contratar profissionais recém-formados nas universidades vizinhas, participar de programas de aceleração e trocar experiências com empresas que enfrentam desafios semelhantes.
É justamente essa concentração de conhecimento, conexões e oportunidades que faz do Passeio Sapiens mais do que um endereço corporativo. Em um setor onde boas ideias dependem das pessoas certas para ganhar escala, o espaço se consolidou como um ambiente onde inovação faz parte da rotina.









