Um ecossistema de inovação precisa de encontros. Pessoas que chegam de lugares diferentes, sentam na mesma mesa, descobrem interesses em comum e, às vezes, saem dali com a possibilidade de fazer algo muito maior. É por isso que feiras, congressos, workshops e rodadas de negócios têm um papel tão importante em lugares como o Sapiens Parque. Eles colocam em circulação conhecimento, relações e oportunidades.
Essa vocação está na própria origem do parque. A Sapiens Parque foi criada em 2002 com atuação nas áreas de alta tecnologia, saúde, especialmente farmacologia, e turismo de negócios, estruturada a partir de centros de eventos. O parque foi pensado como um ambiente capaz de aproximar diferentes setores e estimular a circulação de pessoas e negócios.
Essa ideia ajuda a entender uma característica que se consolidou na Grande Florianópolis nas últimas décadas: a proximidade entre empresas e profissionais ligados à inovação. Um estudo publicado na Brazilian Journal of Innovation, da Unicamp, analisou a distribuição espacial das startups de base tecnológica em Florianópolis, São José e Palhoça entre 2000 e 2020. A pesquisa identificou uma forte concentração dessas empresas em uma área relativamente pequena, tendo como centro a incubadora Celta, no Parque Tecnológico Alfa.
A concentração aproxima pessoas que, de outra forma, talvez levariam muito mais tempo para se encontrar. A construção dessa rede também passa pela incubação de novos negócios. Em Santa Catarina, a metodologia MIDITEC foi criada em 1998 pela ACATE em parceria com o Sebrae para apoiar empresas de tecnologia em seus primeiros anos. Em 2025, a rede de incubadoras que utiliza essa metodologia passou a se chamar MIDIHUB e já reunia incubadoras de diferentes regiões do estado. A mudança de nome acompanhou uma estratégia de integração e expansão da rede, que começou a avançar também para fora de Santa Catarina em 2026.
É uma estrutura que mostra como um ecossistema se constrói também pela conexão entre seus diferentes pontos. Incubadoras, empresas, universidades, investidores e espaços de eventos cumprem funções distintas, mas dependem uns dos outros para que as relações aconteçam. No Sapiens Parque, os eventos são uma parte visível desse movimento.
Em novembro de 2024, por exemplo, o parque recebeu o Sweden Brazil Matchmaking, uma rodada de negócios realizada durante a Semana de Inovação Suécia-Brasil. Organizado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e pela Enterprise Europe Network Brasil e Suécia, o encontro reuniu empresas e organizações dos dois países interessadas em iniciar diálogos para projetos internacionais de pesquisa e desenvolvimento. Os temas incluíam saúde, cidades sustentáveis, mineração sustentável e bioeconomia.
A lógica de um encontro como esse é simples: uma parceria pode nascer durante uma apresentação, em uma pergunta feita depois de uma palestra ou em uma conversa que se estende quando o restante do público já começa a ir embora. O evento tem hora para começar e terminar. As relações criadas ali, não.
No fim, é difícil apontar exatamente onde começa uma relação de negócios. É esse movimento, repetido de evento em evento, que ajuda a dar consistência a um ecossistema. O Sapiens Parque oferece a infraestrutura para que esses encontros aconteçam. Mas são as pessoas que fazem a rede continuar depois que as cadeiras são recolhidas, os equipamentos desligados e o auditório volta a ficar vazio.









